Jordânia na Yeah Brasil de Agosto

Mais uma revista Yeah Brasil fresquinha para vocês. Este mês a matéria de turismo foi sobre a Jordânia. Um dos países mais incríveis que já visitei, deixou saudades e memórias incríveis! Para quem está programando uma viagem para Israel, não pode deixar de separar pelo menos 3 dias e conhecer um pedacinho da Jordânia, que tem como maior tesouro, a cidade perdida de Petra.

Segue na íntegra a matéria logo abaixo e com mais algumas fotos! Para quem ainda não conhece, a Yeah Brasil News Brazil é uma revista destinada a comunidade Brasileira, em especial estudantes que estão ou querem passar um temporada na Irlanda. A Revista tem circulação na Irlanda, França e no Brasil. Não deixe de acessar o site da Yeah Brasil aqui para mais matérias sobre cultura, música, vida em Dublin e muito mais!!

Yeah petra

Petra, na Jordânia, uma das maravilhas do homem, fascina pelos segredos e belezas naturais

Escondida por cânions e grandes montanhas que criam de longe uma paisagem que mescla tons de areia, amarelo e rosa, Petra com certeza é um dos principais roteiros para quem quer conhecer um pouco do Oriente Médio e sem dúvida nehuma o maior tesouro da Jordânia.

Cíntia Tanno

Jordan Cintia Tanno

Com deslumbrantes fachadas cravadas nas paredes rochosas de um lugar que parece ter sido esquecido pelo tempo, uma das sete maravilhas do mundo, Petra tira o fôlego de qualquer um que decide visitar a Cidade Perdida.

Localizada no que é hoje o sudoeste do Reino Hachemita da Jordânia, a cidade já foi um ponto estratégico para o comércio.  Os Nabateus, uma tribo árabe nômade que se fixou na região, foram os responsáveis pela prosperidade de Petra. Ali construíram  magistralmente imponentes templos e tumbas, rede de cisternas que cortavam a cidade, represas, canais e até teatros com capacidade para três mil pessoas. O império Nabateu  reinou como centro comercial entre os anos 400 a.C. e 106 d.C. sendo a principal rota de caravanas que transportavam especiarias, seda, incenso e mirra pelo Oriente Médio. A importância do comércio começou a diminuir, quando Roma tomou posse da cidade e as rotas marítimas começaram a aumentar consideravelmente.

Por volta do ano 700, Petra caiu no esquecimento e começou a ser chamada de “cidade perdida”, onde apenas os beduínos locais sabiam sua exata localização e assim a guardaram até 1812. No mesmo ano, um explorador suíço conseguiu redescobrir a cidade, se disfarçando de beduíno e fazendo o mesmo caminho que hoje, todos os turistas fazem até chegarem em uma das principais atrações de Petra, o Tesouro.

Petra por Cintia Tanno

Petra está localizada a cerca de três horas da capital Amã e deveria ser destino obrigatório mesmo para quem está viajando por países vizinhos como Israel e Egito. Há várias maneiras de atravessar a fronteira entre países, tanto de ônibus ou carro para os turistas independentes ou comprando pacotes de turismo, vendidos tanto em Israel como no Egito. Para brasileiros, o visto de entrada é concedido na fronteira e custa 20 Dinares Jordanianos, cerca de 21 Euros.

Uma vez no país, as paisagens surpreendentes vão encher os olhos de quem está conhecendo pela primeira vez a região. Passeios de carro 4×4 pelo deserto de Wadi Rum encantam turistas do mundo todo e um jantar ou até mesmo se hospedar em acampamentos beduínos fazem toda a diferença durante a viagem. Totalmente equipados com tendas confortáveis, banheiros e cozinha o acampamento é uma opção confortável e segura, mesmo para aqueles que num primeiro momento tendem a desconfiar de tanta hospitalidade.  Geralmente depois do jantar, os beduínos se juntam para cantar ou contar histórias em volta da fogueira, oferecendo o tradicional chá jordaniano. Pelo menos uma noite em um dos inúmeros acampamentos de beduínos deveria ser uma experiência obrigatória para todos os turistas.

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia TannoPasseio exige muita caminhada

Para entrar no complexo de Petra e finalmente conhecer e explorar a cidade perdida, não custa muito barato, cerca de 50 Euros por pessoa, mas cada centavo investido é válido para tamanha experiência. Roupas confortáveis, um bom tênis e muita água são extremamente necessários para quem vai passar o dia caminhando entre as paredes rochosas ou enfrentando muitos degraus e escaladas para conseguir chegar em lugares onde a vista é de tirar o fôlego.

Para conseguir ver com calma tudo que Petra tem para mostrar, é necessário pelo menos dois dias de muita caminhada pelos 5,2 quilômetros quadrados da cidade antiga. Além de ser gigantesca, muitos locais são imperdíveis e de difícil acesso. Há quem se arrisque em conhecer a cidade a cavalo, burro e carroças, todos oferecidos por beduínos que vivem do turismo na região, mas nada como caminhar e fazer tudo com tranquilidade e ao seu tempo.

O passeio começa por uma grande área com paisagem lunar. Ali os primeiros beduínos vão fazer contato, oferecer passeios e serviço de guia turístico. Sempre muito simpáticos e amigáveis, sem serem incansavelmente irritantes, como na maioria dos países árabes, encantam os turistas com os olhos contornados pelo kajal, lápis preto que todos os homens usam, segundo eles para proteger os olhos da poeira e do Sol.

A paisagem começa a ficar ainda mais impressionante quando as trilhas começam a entrar pelo Siq, um sinuoso desfiladeiro, com paredes de até 200 metros de altura. Ali é possível observar a incrível mudança de cores das paredes conforme a luz do Sol. Do salmão ao vermelho, as formações rochosas são um espetáculo da natureza.

Depois de percorrer cerca de um quilômetro pelo Siq, a atração mais conhecida de Petra aparece grandiosamente entre as rochas e da lugar para mais admiração. O Al-Khazneh, mais conhecido como O Tesouro,  encanta com seus 30 metros de largura e 43 metros de altura. Esculpido na rocha rosada, impressiona pelos detalhes e sem dúvida é um dos maiores tesouros de Petra. Foi construído para ser o túmulo de um importante rei nabateu. Tanto os caminhos do Siq, quanto o Tesouro, foram cenário de uma das cenas mais clássicas do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”.

Petra por Cintia Tanno800 degraus

Continuando a caminhada pelas ruas de Petra, tumbas mais simples, igrejas, teatros e placas apontando diferentes miradouros no topo das rochas são pontos de parada para os turístas que ainda estão em busca da foto perfeita ou ainda têm fôlego para encarar subidas íngrimes entre as pedras.

Para os que querem chegar até a pedra do sacrifício, onde mais uma vez a natureza se faz presente com paisagens fantásticas do deserto, é necessário enfrentar mais 800 degraus até o outro extremo da cidade. Lá não só belas paisagens naturais são estrelas, mas também o famoso Monastério.  Um impressionante templo esculpido em um paredão de cor amarelada, faz valer cada passo dado durante o dia e ali recebe a contemplação de todos os turistas que decidem sentar,descansar e se encantar com o uma das maravilhas da natureza e do homem.

Nas principais ruas de Petra, é possível encontrar banheiros extremamente bem cuidados, muitas lojas de souvenirs, restaurantes e pequenas tendas onde beduínos vendem sucos, refrigerantes, água e ali sentam com você, contam sua história de vida e não perdem a chance de mostrar quão bom é morar em Petra. Não se cansam de repetir quantos turistas nunca mais deixaram a cidade e assim quase sem perceber o você vai embora completamente apaixonado pelo lugar que um dia ja foi a “cidade perdida”.

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia TannoFotos – Cintia Tanno

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PASSAGENS: Como planejar a viagem dos seus sonhos sem a ajuda de uma agencia

Planejar uma viagem não é uma das coisas mais fáceis do mundo, se for para mais de uma país a coisa complica um pouco mais e se um desses países usa uma moeda completamente diferente das que estamos acostumados (Euro, Dólar, Libras) o cuidado deve ser redobrado.

Há quem goste da facilidade das agencias de viagens para comprar algum pacote turístico, mas toda aquela expectativa, estudos, preparação de uma viagem organizada por você não fará parte do pacote.

Planejar uma viagem é algo simples, mas requer disciplina e paciência, pois pode levar algum tempo, por isso comece a organizar tudo com bastante antecedência. De todas as viagens que já planejei, a que está gerando mais curiosidade é a que eu fiz para Israel. Era um sonho desde sempre, e uma vez que você conhece países com a cultura totalmente diferente do seu, parece que o foco de destinos muda totalmente. Eu tinha 20 dias de férias e poderia escolher entre viajar na Europa ou arriscar e ir conhecer mais um país totalmente “exótico” para mim, e é claro que não pensei duas vezes.

Israel então foi o ponto de partida para esse mochilão, o país onde ficaria por mais tempo, e a partir de lá comecei a planejar outras possibilidades de países. Lendo sobre a região e depoimentos de outros viajantes, vi que era super viável ir para a Jordânia, dar um pulo na Turquia e por questões de preços a Grécia também entrou na viagem.

Sim, incluir a Grécia na viagem custaria a mesma coisa, se por um acaso eu saísse de Dublin direto para Israel, sem passar pela terra dos Deuses Gregos…Vou explicar isso melhor, porque dependeu de todo o planejamento e pesquisas de preços na hora de comprar as passagens.

Essa é a parte mais chata, a pesquisa de preços e destinos. Apesar de termos feito e decidido tudo em uma noite, muuuitas possibilidades passaram por nós.

Funciona mais ou menos assim: Primeiro você precisa checar todas as possibilidades a partir da sua cidade de origem e todos os destinos que você quer conhecer, e consequentemente escolher o destino mais barato para poder continuar com seus bookings.

Ex:

Minha cidade de origem era Dublin, e todas as cidades que estavam incluídas na viagem eram  Jerusalém, Tel Aviv, Petra e Istambul, e a partir daí começamos a pesquisar as passagens: Dublin-Jerusalém,  Dublin-Petra, Dublin-Istambul, Dublin-Tel Aviv, mas todas as passagens estavam bem caras, e quase desistimos da viagem, pois tínhamos um valor limite para gastar e estava passando só com as passagens. E foi então que a ideia de ir para a Grécia salvou toda a viagem. Sair de Atenas para Jerusalém e Istambul era bem mais barato, por causa das companhias aéreas low cost que operam naquela região. Mas o problema ainda era a passagem de Dublin e a solução foi ir e voltar para a Irlanda da Grécia.

Então compramos a passagem Dublin-Atenas e a volta para depois de 18 dias Atenas-Dublin e o miolo ainda tínhamos que resolver. E assim foi a mesma história, pesquisar se era mais barato fazer Atenas-Jerusalém, Atenas-Tel-Aviv, Atenas-Istambul e também a volta, por onde seria mais barato voltar Jerusalém-Atenas, Tel-Aviv-Atenas ou Istambul-Atenas.

O meio da viagem também foi bem pesquisado para economizar ao máximo, então as possibilidades eram: Jerusalém-Istambul, Jerusalém-Atenas-Istambul, Istambul-Jerusalém, Istambul-Atenas-Jerusalém…Sim, cogitamos todas as possibilidades, até sair e voltar de Atenas todas as vezes, mas por causa de alguns Euros, o desgaste não compensaria.

No final o roteiro ficou assim: Dublin-Atenas, Atenas-Tel-Aviv, Tel-Aviv-Istambul, Istambul-Atenas, Atenas-Dublin. Fomos para a Jordânia de ônibus pois era mais fácil e como não tínhamos pré visto para entrada no país, não teríamos problema em atravessar uma das fronteiras a pé. Os vôos para Jerusalém foram descartados e decidimos ir para Tel-Aviv e de lá pegar um transfer para Jerusalém.

Foi assim que começou todo o planejamento do último mochilão que fiz e foi da mesma maneira que planejei todas as outras viagens que fiz que incluía mais de 2 países. É cansativo e exige tempo, mas saber que você teve controle total de toda a situação e autonomia para mudar os planos a qualquer momento é muito mais satisfatório.

Foi incrível poder visitar as ilhas gregas pelo segundo ano consecutivo, curar o trauma que eu tinha de Atenas (conto a história em outro post), poder planejar e decidir o que fazer durante todos os dias que ficamos em Israel, tendo a possibilidade de anular alguma cidade, para ficar mais tempo em outra. Descobrir como poderíamos ir até a Jordânia de ônibus e atravessar a fronteira a pé, chegar até o Mar Morto sem pagar fortunas por um Tour e ter a liberdade de ter aproveitado a boa atmosfera de Istambul para descansar e fazer turismo com mais calma.

Super incentivo quem quer viajar por conta…Basta uma boa pesquisa, disciplina e poderá ver que o mundo é maravilhoso e não precisa de muito para conhecê-lo. Basta saber se adaptar a diferentes situações, respeitar e aprender com a experiência dos outros.

Quando você planeja a sua viagem, a noção de valores fica bem maior e já no começo consegue ver que ficar em um hostel que custa 10% do valor daquele hotel maravilhoso, vale muito mais a pena, pois no final das contas, com o que você economizou de estadia, da para conhecer mais uma cidade e até cruzar um país. Sempre mantenha em mente suas prioridades, aproveitar o quarto de um hotel ou uma cama para dormir e uma cidade inteira para ser explorada…Fica a dica!

Se hospedar em hostels significa trocar experiências, fazer novos amigos, aprender a respeitar o próximo e entender que quem está lá está por um único motivo: VIAJAR