Pelas Ruas de Dublin – A sensibilidade e a fotografia

Muitos anos se passaram desde que me mudei para Dublin, e muitas fotos foram tiradas durante os meus dias de folga, dias depressivos ou dias de extrema alegria. O meu amor pela fotografia nasceu no primeiro ano de faculdade de jornalismo e desde então, faz parte da minha vida diária (graças ao Instagram, Smartphones, nenhuma imagem escapa, mas nada substitui a boa e velha câmera fotográfica e todas as suas funções manuais). Lauriano Benazzi, fotojornalista e meu professor lá em 2003, foi  uma influência gigantesca, me apresentou os grandes mestres da fotografia, a técnica e sempre me motivou a continuar. Hoje uso todo o meu conhecimento teórico e prático, em fotografias de viagens e quando estou em Dublin, uso o cotidiano como meu aliado.

Andar pelas ruas de qualquer cidade é um ótimo exercício e a melhor maneira de encontrar os fatos perfeitos para serem fotografados. Nenhum dia é medíocre na fotografia. Bastam alguns estímulos… E para que isso aconteça, devemos prestar atenção em alguns detalhes!

Você já conseguiu colocar de lado a pressa, trouxe a sensibilidade para seu olhar e ao andar, observar, viver, sentiu que faz parte da história ou é testemunha dela? Se não, aconsellho a fazê-la! Esse é o melhor momento para fotografar!

Quando estamos imersos em uma cultura totalmente diferente da nossa, seja durante uma viagem, mudança de cidade, país ou até no primeiro dia do novo emprego, tudo que se passa diante dos nossos olhos é curioso, é bonito, é melhor… Pois é, a vida inteira deveria ser vista de tal maneira! Aguçar a sensibilidade, automaticamente melhora o seu olhar, e quando uma câmera é apenas a extenção de seus olhos, tudo de mais sensível será refletido na sua fotografia e se tornará uma prazerosa forma de expressão visual.

Para mim, Henri Cartier-Bresson é o pai da sensibilidade revelada no dark room. Ele criou o termo Instante Decisivo, e se tornou um dos fotógrafos mais significativos do século XX.  Entenda sobre o que estou falando pelas próprias palavras do gênio, em 3 citações:

“A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora?
Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos…e não podemos recomeçar…” 

“O que importa é o olhar. Mas as pessoas não olham, a maioria não observa, apenas aperta o botão.”

“É preciso esquecer-se, esquecer a máquina… estar vivo e olhar. É o único meio de expressão do instante. E para mim só o instante importa… e é por isto que adoro, não diria a fotografia….mas a reportagem fotográfica, ou seja, estar presente, participar, testemunhar…”

Então, a partir de agora,  se está procurando uma forma diferenciada de capturar imagens, treine o seu olhar com sensibilidade,…Com o tempo, tudo vai acontecer naturalmente, e não é preciso o melhor equipamento para que isso aconteça. Na verdade, o “treino” pode ser feito até mesmo sem uma câmera na mão! Caminhe, observe, não ignore momentos que possam parecer banais, muitos deles se tornarão fotografias fantásticas! Mas essa não é uma dica só para aqueles que amam de alguma forma a fotografia, mas sim para todo mundo, todos aqueles que querem enxergar a vida além do que os olhos podem ver!

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Egito – Fotos de um país surpreendente

Minha viagem para o Egito em 2011, foi mais uma das viagens de comemoração do meu aniversário! Passei 10 dias no país, e viajei do Cairo até Aswan, passando por Luxor, Lago Naser e Abu Simbel! Uma viagem de amor e ódio pelo lugar (explico isso em outro post)! Mas não posso ignorar a fotogenia do Egito, que encantaria qualquer fotógrafo!

Hoje começo uma série de posts sobre a terra das Pirâmides, e por que não viajar através das lentes da fotógrafa aqui? Selecionei para o post de hoje algumas imagens do Cairo! Cidade do caos e que requer algumas gotas de paciência para ser explorada!

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Paris e uma lente 50 mm

Eu costumo dizer que viajar comigo é preciso o dobro de paciência, pois a cada dois passos são 10 cliques na câmera! (ou mais!!) E finalmente encontrei um par perfeito, um namorado fotógrafo,  que tem o olhar curioso de quem está começando no mundo das viagens! (Não que minhas amigas não sejam pacientes! São super pacientes e aprenderam a amar ainda mais a arte da fotografia!)

Então dois aficionados por fotografia, um mais profissional e a outra no meio do caminho, se jogam no meio de Paris e não sabem por onde começar! Vi no olhar dele o mesmo êxtase que senti quando fui para Paris pela primeira vez!

Como desta vez eu estava mais relaxada, e queria aproveitar cada momento sem ficar escondida atrás da câmera, usei o celular para registrar alguns momentos durante dois dias. Só no terceiro decidimos explorar a cidade “fotograficamente”! Saímos empolgados, com todo o equipamento, e já no primeiro clique minha câmera resolve não funcionar! Aff…Na verdade minha lente favorita para viagens, uma Canon 17-85 mm está dando erro! Isto tinha acontecido na viagem para Portugal, mas testei em Dublin antes de ir para Paris, estava OK, e no fim ela pifou denovo no meio da viagem! Enfim, bateu o bode, mas fazer o que…Aproveitei para fazer algo que sempre tive vontade, mas como sempre vou para lugares novos, nunca dedico tempo suficiente para detalhes de uma cidade.

Desta vez, com uma lente a menos na bolsa, saí para fotografar apenas com minha 50 mm, que acho ideal para retratos, mas ela fez um bom trabalho registrando alguns detalhes de Paris que são lindos. Pela terceira vez na cidade, pude direcionar o meu olhar para pequenas coisas que fazem de Paris uma cidade absolutamente linda!

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Jardin du Luxembourg

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Escadaria – Margem do Rio Sena

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Jardin du Luxembourg

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 Place de l'Hôtel de ville

Place de l’Hôtel de ville

The Latin Quarter of Paris

The Latin Quarter of Paris

The Latin Quarter of Paris

The Latin Quarter of Paris

The Latin Quarter of Paris

The Latin Quarter of Paris

 Fontaine de Medicis, Jardin du Luxembourg

Fontaine de Medicis, Jardin du Luxembourg

Jardin du Luxembourg

Jardin du Luxembourg

The Latin Quarter

The Latin Quarter

Eiffel Tower

Eiffel Tower

St-Germain-des-Pres

St-Germain-des-Pres

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Carrousel - Hotel de Ville

Carrousel – Hotel de Ville

Photos – Cíntia Tanno

Jordânia na Yeah Brasil de Agosto

Mais uma revista Yeah Brasil fresquinha para vocês. Este mês a matéria de turismo foi sobre a Jordânia. Um dos países mais incríveis que já visitei, deixou saudades e memórias incríveis! Para quem está programando uma viagem para Israel, não pode deixar de separar pelo menos 3 dias e conhecer um pedacinho da Jordânia, que tem como maior tesouro, a cidade perdida de Petra.

Segue na íntegra a matéria logo abaixo e com mais algumas fotos! Para quem ainda não conhece, a Yeah Brasil News Brazil é uma revista destinada a comunidade Brasileira, em especial estudantes que estão ou querem passar um temporada na Irlanda. A Revista tem circulação na Irlanda, França e no Brasil. Não deixe de acessar o site da Yeah Brasil aqui para mais matérias sobre cultura, música, vida em Dublin e muito mais!!

Yeah petra

Petra, na Jordânia, uma das maravilhas do homem, fascina pelos segredos e belezas naturais

Escondida por cânions e grandes montanhas que criam de longe uma paisagem que mescla tons de areia, amarelo e rosa, Petra com certeza é um dos principais roteiros para quem quer conhecer um pouco do Oriente Médio e sem dúvida nehuma o maior tesouro da Jordânia.

Cíntia Tanno

Jordan Cintia Tanno

Com deslumbrantes fachadas cravadas nas paredes rochosas de um lugar que parece ter sido esquecido pelo tempo, uma das sete maravilhas do mundo, Petra tira o fôlego de qualquer um que decide visitar a Cidade Perdida.

Localizada no que é hoje o sudoeste do Reino Hachemita da Jordânia, a cidade já foi um ponto estratégico para o comércio.  Os Nabateus, uma tribo árabe nômade que se fixou na região, foram os responsáveis pela prosperidade de Petra. Ali construíram  magistralmente imponentes templos e tumbas, rede de cisternas que cortavam a cidade, represas, canais e até teatros com capacidade para três mil pessoas. O império Nabateu  reinou como centro comercial entre os anos 400 a.C. e 106 d.C. sendo a principal rota de caravanas que transportavam especiarias, seda, incenso e mirra pelo Oriente Médio. A importância do comércio começou a diminuir, quando Roma tomou posse da cidade e as rotas marítimas começaram a aumentar consideravelmente.

Por volta do ano 700, Petra caiu no esquecimento e começou a ser chamada de “cidade perdida”, onde apenas os beduínos locais sabiam sua exata localização e assim a guardaram até 1812. No mesmo ano, um explorador suíço conseguiu redescobrir a cidade, se disfarçando de beduíno e fazendo o mesmo caminho que hoje, todos os turistas fazem até chegarem em uma das principais atrações de Petra, o Tesouro.

Petra por Cintia Tanno

Petra está localizada a cerca de três horas da capital Amã e deveria ser destino obrigatório mesmo para quem está viajando por países vizinhos como Israel e Egito. Há várias maneiras de atravessar a fronteira entre países, tanto de ônibus ou carro para os turistas independentes ou comprando pacotes de turismo, vendidos tanto em Israel como no Egito. Para brasileiros, o visto de entrada é concedido na fronteira e custa 20 Dinares Jordanianos, cerca de 21 Euros.

Uma vez no país, as paisagens surpreendentes vão encher os olhos de quem está conhecendo pela primeira vez a região. Passeios de carro 4×4 pelo deserto de Wadi Rum encantam turistas do mundo todo e um jantar ou até mesmo se hospedar em acampamentos beduínos fazem toda a diferença durante a viagem. Totalmente equipados com tendas confortáveis, banheiros e cozinha o acampamento é uma opção confortável e segura, mesmo para aqueles que num primeiro momento tendem a desconfiar de tanta hospitalidade.  Geralmente depois do jantar, os beduínos se juntam para cantar ou contar histórias em volta da fogueira, oferecendo o tradicional chá jordaniano. Pelo menos uma noite em um dos inúmeros acampamentos de beduínos deveria ser uma experiência obrigatória para todos os turistas.

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia TannoPasseio exige muita caminhada

Para entrar no complexo de Petra e finalmente conhecer e explorar a cidade perdida, não custa muito barato, cerca de 50 Euros por pessoa, mas cada centavo investido é válido para tamanha experiência. Roupas confortáveis, um bom tênis e muita água são extremamente necessários para quem vai passar o dia caminhando entre as paredes rochosas ou enfrentando muitos degraus e escaladas para conseguir chegar em lugares onde a vista é de tirar o fôlego.

Para conseguir ver com calma tudo que Petra tem para mostrar, é necessário pelo menos dois dias de muita caminhada pelos 5,2 quilômetros quadrados da cidade antiga. Além de ser gigantesca, muitos locais são imperdíveis e de difícil acesso. Há quem se arrisque em conhecer a cidade a cavalo, burro e carroças, todos oferecidos por beduínos que vivem do turismo na região, mas nada como caminhar e fazer tudo com tranquilidade e ao seu tempo.

O passeio começa por uma grande área com paisagem lunar. Ali os primeiros beduínos vão fazer contato, oferecer passeios e serviço de guia turístico. Sempre muito simpáticos e amigáveis, sem serem incansavelmente irritantes, como na maioria dos países árabes, encantam os turistas com os olhos contornados pelo kajal, lápis preto que todos os homens usam, segundo eles para proteger os olhos da poeira e do Sol.

A paisagem começa a ficar ainda mais impressionante quando as trilhas começam a entrar pelo Siq, um sinuoso desfiladeiro, com paredes de até 200 metros de altura. Ali é possível observar a incrível mudança de cores das paredes conforme a luz do Sol. Do salmão ao vermelho, as formações rochosas são um espetáculo da natureza.

Depois de percorrer cerca de um quilômetro pelo Siq, a atração mais conhecida de Petra aparece grandiosamente entre as rochas e da lugar para mais admiração. O Al-Khazneh, mais conhecido como O Tesouro,  encanta com seus 30 metros de largura e 43 metros de altura. Esculpido na rocha rosada, impressiona pelos detalhes e sem dúvida é um dos maiores tesouros de Petra. Foi construído para ser o túmulo de um importante rei nabateu. Tanto os caminhos do Siq, quanto o Tesouro, foram cenário de uma das cenas mais clássicas do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”.

Petra por Cintia Tanno800 degraus

Continuando a caminhada pelas ruas de Petra, tumbas mais simples, igrejas, teatros e placas apontando diferentes miradouros no topo das rochas são pontos de parada para os turístas que ainda estão em busca da foto perfeita ou ainda têm fôlego para encarar subidas íngrimes entre as pedras.

Para os que querem chegar até a pedra do sacrifício, onde mais uma vez a natureza se faz presente com paisagens fantásticas do deserto, é necessário enfrentar mais 800 degraus até o outro extremo da cidade. Lá não só belas paisagens naturais são estrelas, mas também o famoso Monastério.  Um impressionante templo esculpido em um paredão de cor amarelada, faz valer cada passo dado durante o dia e ali recebe a contemplação de todos os turistas que decidem sentar,descansar e se encantar com o uma das maravilhas da natureza e do homem.

Nas principais ruas de Petra, é possível encontrar banheiros extremamente bem cuidados, muitas lojas de souvenirs, restaurantes e pequenas tendas onde beduínos vendem sucos, refrigerantes, água e ali sentam com você, contam sua história de vida e não perdem a chance de mostrar quão bom é morar em Petra. Não se cansam de repetir quantos turistas nunca mais deixaram a cidade e assim quase sem perceber o você vai embora completamente apaixonado pelo lugar que um dia ja foi a “cidade perdida”.

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia Tanno

Petra por Cintia TannoFotos – Cintia Tanno

Índia – O meu choque cultural em imagens

Quando estava no Brasil, e nunca, mas nem de perto imaginava um dia conhecer a Índia, tinha algumas imagens gravadas na cabeça, do que representava o país naquele momento para mim.

Os anos passaram, me mudei para a Irlanda, e uma das oportunidades que esse país me deu, foi de viajar boa parte do mundo, que até então ficava nos meus sonhos mais distantes.

Uma das viagens mais inesquecíveis aconteceu em 2009, depois de um rápido planejamento, que por um lado foi bom, ou não aguentaria de tamanha ansiedade, se tivesse que esperar muito tempo até viajar. Pesquisei muito, li sobre o país, sabia o que encontrar em algumas cidades, já em outras nem tanto. Sonhei com as fotos que tiraria, com os presentes que compraria, comida que tanto amo que experimentaria, com as novas religiões que conheceria, mas em nenhum momento pensei que o choque cultural seria maior do que imaginava.

De todos os países que conheci, a Índia foi o lugar que mais me chocou culturalmente em menos de 2 horas. Desde a minha chegada no aeroporto de Delhi até a volta da Kashimira. Foram 3 semanas de choque e encantamento.

Chorei com a extrema pobreza do lugar, me surpreendi com o inglês daqueles que nem têm casa para morar, comprei inúmeros souvenirs, que hoje moram em uma caixa no alto do meu guarda-roupas, na esperança de estar ajudando mais um. Me encantei com a ótima receptividade do país e odiei ser enganada por comerciantes de cada cidade por onde passei.

Acho que muitos dividem a mesma impressão do país e ao mesmo tempo guardam na memória a” sua Índia”.

Nada melhor do que fotografias para mostrar a minha Índia. A seleção de imagens abaixo conseguem transmitir bem a Índia que trouxe tanto choque cultural para mim, e claro dentro desta experiência, alguns dos personagens que conheci por lá. As fotos foram tiradas na estação de trem de Delhi logo após a minha chegada no país, Agra e Jaipur, na minha primeira semana no país.

Sem dúvida nenhuma, a Índia que sempre quis conhecer.

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Brincando com a 50mm da Canon

Hoje finalmente comprei minha lente 50mm, a lente que todo mundo deveria ter. E claro que com a alma de criança que tenho, saí fotografando alguns detalhes daqui de casa, já que o frio está intenso lá fora e não tive coragem de me aventurar ao vento!

A lente 50 mm é uma das mais versáteis e baratas do mercado. Apesar do preço baixo e ser uma lente fixa, ela permite bastante nitidez nas fotos. Ótima para retratos, a 50 mm é um bom investimento para quem está começando e não quer gastar muito com lentes. Também não dá para esquecer que ela é uma lente clara, com aberturas que variam entre 1.4 e 1.8, ótima para lugares com pouca luz. Aqui em Dublin  paguei 129,00 Euros na lente.

AMAZON-Sebastião Salgado e Per-Anders Pettersson

Desde que tive minha primeira aula de fotografia, lá no primeiro ano de faculdade de jornalismo,  já sabia que aquele definitivamente era um mundo que me encantava. Sempre vi um pouco de arte na fotografia, na verdade, sempre vi muita arte. Tudo isso aumentou depois que conheci um pouco mais sobre a história da fotografia e Henri Cartier Bresson e Sebastião Salgado tiraram o meu fôlego com suas belíssimas imagens.

Sebastião Salgado

Sebastião Salgado

Bom, o que eu quero dizer é que o trabalho dos dois sempre me pareceu meio que intocável. Materialmente falando… Quando achei alguns livros para comprar, online, durante a produção do meu TCC, na época era praticamente inviável para meu pobre bolso e exposição fotográfica deles então, nunca vi uma passar perto… Eis que num dia normal aqui em Dublin, lendo as atualizações do Facebook, vejo a notícia de que Sebastião Salgado faria uma exposição na Gallery of Photography daqui. Morri!

Finalmente poderia deixar de ficar namorando os caros livros do Salgado e admirar de perto algumas das suas fotografias e todas elas num tamanho digno que emociou esta pequena fã aqui.

A exposição faz parte de uma campanha da Sky Rainforest Rescue e da WWF contra o desmatamento da Amazônia. Salgado trouxe, junto com o fotógrafo suéco Per-Anders Petterssson, a Amazon. Parte do seu trabalho que está exposto foi iniciado em 2004 com o ensaio Gênesis. Nele, Sebastião Salgado expõe imagens do cotidiano de famílias rurais do Acre e comunidades indígenas locais do Mato Grosso, Amazonas e Pará.

Índios pescando no lago Piulaga. Xingu, Mato Grosso.

Desde 1990 Salgado e sua mulher Lélia Wanick Salgado, vêm trabalhando com a Sky Rainforest Rescue na restauração de uma pequena parte da Floresta Atlântica no Brasil. “Meu projeto Gênesis é designado para mostrar como a parte intocada do mundo deve ser preservada e, onde possível, ser expandida. Apoiar Sky Rainforest Rescue e juntar forças para essa exibição foi algo muito natural para mim, pois o trabalho com esse projeto ajuda a aumentar o conhecimento relacionado a devastação na região para um público maior.  Eu agradeço a oportunidade de apresentar algumas imagens inéditas na exibição e ressaltar a beleza que deve ser preservada.”

Preparação da mulher para o final do Amuricumã, festival de mulheres na vila de Kamayura. Xingu, Mato Grosso.

Per-Anders Pettersson também renomado fotógrafo, viajou em 2011 com a atriz Gemma Arterton para o Acre para também chamar atenção para o trabalho que estava sendo feito pela Sky Rainforest Rescue no estado. Nas suas fotografias ele mostra a realidade do desmatamento na região e tenta ressaltar como é importante e necessário o trabalho do governo na certificação de terras no estado, assim como o trabalho da Sky e do WWF como suporte para as comunidades locais. O importante é mostrar alternativas para o desmatamento e a proteção das mais variadas espécies que ali vivem.

Atriz Gemma Arterton sobrevoando áreas desmatadas do Acre.

Através das fotografias de Pettersson, não só é possível ver imagens do problema que o Acre está enfrentando, mas também todo o progresso do projeto na região. “Essa viagem deu a oportunidade da minha vida em ver todo o trabalho que está sendo feito em primeira mão e ajudar a mostrar isso. As imagens que nós capturamos são para abrir os olhos, lindas, de quebrar o coração e do mesmo tamanho encorajodoras.”

Pôr-do-Sol no Acre

A exposição começa com imagens belíssimas de Sebastião Salgado no primeiro andar da galeria e segue no segundo andar com as fotografias de Pettersson. Os dados sobre o desmatamento são chocantes, assim como as imagens expostas.

Crianças da região posam para foto em frente de casa. Seus pais desde 2009 produzem sem desmatar ou usar fogo na sua terra.

O trabalho dos dois fotógrafos são completamente diferentes, mas se complementam para atingir o objetivo traçado. A visão de Salgado, como sempre captando todos os detalhes da cena preto e branco, te envolve com tanta beleza e arte que é quase impossível imaginar que aquilo ainda existe no nosso país. Tradições indígenas e um povo tão bonito. Já o trabalho de Pettersson é mais realista, mostrando imagens que são mais comuns aos nossos olhos. A vida colorida dentro da simplicidade, desmatamento e trabalho de extração da borracha no inteiror do estado do Acre.

A curadoria e produção da exposição foi feita por Bakul Patki. Toda a edição do trabalho de Salgado é feito pelo mesmo e por sua mulher Lélia.

A exposião em Dublin acabou no dia 1 de Abril, mas não poderia deixar de registrar esse trabalho tão incrível que fui ver.

http://www.rainforestrescue.sky.com/our-campaign

http://www.peranderspettersson.com

http://www.amazonasimages.com

Fotos – http://www.rainforestrescue.sky.com