Pelas Ruas de Dublin – A sensibilidade e a fotografia

Muitos anos se passaram desde que me mudei para Dublin, e muitas fotos foram tiradas durante os meus dias de folga, dias depressivos ou dias de extrema alegria. O meu amor pela fotografia nasceu no primeiro ano de faculdade de jornalismo e desde então, faz parte da minha vida diária (graças ao Instagram, Smartphones, nenhuma imagem escapa, mas nada substitui a boa e velha câmera fotográfica e todas as suas funções manuais). Lauriano Benazzi, fotojornalista e meu professor lá em 2003, foi  uma influência gigantesca, me apresentou os grandes mestres da fotografia, a técnica e sempre me motivou a continuar. Hoje uso todo o meu conhecimento teórico e prático, em fotografias de viagens e quando estou em Dublin, uso o cotidiano como meu aliado.

Andar pelas ruas de qualquer cidade é um ótimo exercício e a melhor maneira de encontrar os fatos perfeitos para serem fotografados. Nenhum dia é medíocre na fotografia. Bastam alguns estímulos… E para que isso aconteça, devemos prestar atenção em alguns detalhes!

Você já conseguiu colocar de lado a pressa, trouxe a sensibilidade para seu olhar e ao andar, observar, viver, sentiu que faz parte da história ou é testemunha dela? Se não, aconsellho a fazê-la! Esse é o melhor momento para fotografar!

Quando estamos imersos em uma cultura totalmente diferente da nossa, seja durante uma viagem, mudança de cidade, país ou até no primeiro dia do novo emprego, tudo que se passa diante dos nossos olhos é curioso, é bonito, é melhor… Pois é, a vida inteira deveria ser vista de tal maneira! Aguçar a sensibilidade, automaticamente melhora o seu olhar, e quando uma câmera é apenas a extenção de seus olhos, tudo de mais sensível será refletido na sua fotografia e se tornará uma prazerosa forma de expressão visual.

Para mim, Henri Cartier-Bresson é o pai da sensibilidade revelada no dark room. Ele criou o termo Instante Decisivo, e se tornou um dos fotógrafos mais significativos do século XX.  Entenda sobre o que estou falando pelas próprias palavras do gênio, em 3 citações:

“A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora?
Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos…e não podemos recomeçar…” 

“O que importa é o olhar. Mas as pessoas não olham, a maioria não observa, apenas aperta o botão.”

“É preciso esquecer-se, esquecer a máquina… estar vivo e olhar. É o único meio de expressão do instante. E para mim só o instante importa… e é por isto que adoro, não diria a fotografia….mas a reportagem fotográfica, ou seja, estar presente, participar, testemunhar…”

Então, a partir de agora,  se está procurando uma forma diferenciada de capturar imagens, treine o seu olhar com sensibilidade,…Com o tempo, tudo vai acontecer naturalmente, e não é preciso o melhor equipamento para que isso aconteça. Na verdade, o “treino” pode ser feito até mesmo sem uma câmera na mão! Caminhe, observe, não ignore momentos que possam parecer banais, muitos deles se tornarão fotografias fantásticas! Mas essa não é uma dica só para aqueles que amam de alguma forma a fotografia, mas sim para todo mundo, todos aqueles que querem enxergar a vida além do que os olhos podem ver!

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Dublin Christmas Market

Mais um ano e mais um Natal em Dublin, o que não é muito animador! Além do “detalhe” de estar longe da família e longe do verão gostoso do Brasil, Dublin não ajuda muito a deixar as coisas mais legais por aqui!

Em muitas cidades da Europa, os mercados de Natal fazem parte da tradição e por anos levam pessoas do mundo todo para ver todas as especiarias e artigos natalinos dos seus mercados, coisa que não acontece na Irlanda. O mercado é pequeno, sem muita comida gostosa, coisas que encontramos nos supermercados e nada muito artesanal. A minha atração do dia foi tomar um super White Mocha do Starbucks e não me arrisquei em nenhum dos stands do Christmas Market…Na verdade só em um, onde comprei uma panna cotta bem gostosa!

O mercado está acontecendo na Georges Dock e por causa da chuva e vento loucos, ficamos só na parte de dentro do CHQ Building. Do lado de fora, onde sempre acontece a Octoberfest, tinha mais barraquinhas de comidas, carrossel e tudo aquilo que faz a alegria da criançada, então acredito que num dia de sol, ou pelo menos sem chuva, o mercado seja bem mais interessante.

Fomos lá por acaso, pois a exposição World Press Photo está acontecendo no mesmo prédio e aproveitamos para dar uma voltinha no lugar. Acho que tem muita coisa para evoluir e uma tradição que ainda está nascendo na cidade, mas um passeio num mercado de Natal, nem que seja “simplinho” como este ajuda a aquecer os corações saudosos dos despatriados que vão passar um Natal frio!

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Começou como intercâmbio…Hoje…Estilo de vida…

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Cruzar fronteiras, atravessar oceanos e chegar em diferentes continentes é o sonho de muita gente. O verbo “viajar” encanta muitos em todo o planeta, mas na maioria das vezes só viajar não é o suficiente. A oportunidade de conhecer diferentes culturas pode não fazer parte de todo ambiente familiar, por diferentes motivos, mas não significa que concordar com os fatos seja o ponto final de uma história.

Por muitos anos aceitei a vida da forma como foi imposta para mim, não que isso seja ruim, mas no fundo não conseguia encontrar nada que fizesse me conformar com tais fatos.  Meus olhos queriam ver o mundo! Por anos a fio fui vendo colegas de classe indo para os Estados Unidos comemorar aniversário de 15 anos, outros planejando o intercâmbio cultural de High School, onde você passa um ano em outro país morando com outras famílias e finaliza um ano letivo escolar, e sempre fui me perguntando, quando vai ser a minha vez?

Fazer um intercâmbio sempre significou muito para mim, principalmente pelo fato da pessoa estar totalmente imersa em outra língua. Ficava imaginando se por um acaso,  uma oportunidade dessas surgisse na minha vida, também seria capaz de aprender uma outra língua assim como os outros.  Intercâmbio se resumia em aprender uma língua estrangeira , morar com uma família estranha e se fosse permitido, algumas viagens para fechar o programa. A minha vez finalmente chegou, e na hora certa, mas o jornalismo veio primeiro.

Ter cursado uma faculdade antes de realmente decidir correr atrás daquele sonho escondido, com certeza fez uma importante diferença e me deu um bom background para enfrentar a vida no exterior. Me formei e cinco meses depois estava aterrisando em Dublin e a minha história de intercâmbio estava sendo formada.

E agora, aconteceu, cheguei na Europa, e aí? Aos vinte e um anos, depois de quatro morando sozinha, cheguei na casa da família que me hospedaria, e foi lá que toda a fantasia acabou. Minha hostfamily praticamente não existia, então o suporte que eu estava esperando também não existia. A cidade fui conhecendo através das pessoas que foram aparecendo na minha vida, dia após dia. A escola foi importantíssima para a introdução da língua e cultura local, mas a interação multi-cultural entre os alunos era o que mais me encantava. Não só entre os estrangeiros, mas as diferentes histórias, das mais diferentes pessoas e de lugares do Brasil que nem sequer tinha chegado perto. Aprender com a história dos outros, se surpreender com os diferentes estilos de vida e conhecer as diferentes razões que levaram todos para o mesmo lugar foi o começo do meu intercâmbio.

As semanas se passam, você já está morando em outra casa, na maioria das vezes dividindo quarto com algum amigo ou desconhecido, a rotina chega e com a ela a realidade dos empregos. Tenho certeza que todos que participam do mesmo programa – curso de inglês e trabalho –  chegam com a mente mais do que preparada para enfrentar qualquer tipo de emprego, mas a prática é diferente e as situações nem sempre agradáveis. Cada situação difícil, o constrangimento em alguns momentos e a sensação de humilhação por qual passei não foram suficientes  nem para pensar em desistir. Claro que isso não significa baixar a cabeça para todas as situações que te incomodem, tanto que deixei meu primeiro emprego por não aceitar o excesso de má educação do meu chefe, então você deve distinguir até onde depende de você melhorar e onde começa a falta de compreensão e educação dos outros. O começo é  difícil na maioria das vezes por causa da língua, mas nada como o tempo, a convivência e as experiências não ajudem a fluência chegar.

Intercâmbio então foi criando um significado distinto na minha cabeça. Minhas experiências eram diferentes, e assim fui encontrando o meu caminho.  O primeiro ano foi de total adaptação, então não consegui tempo e nem dinheiro para viajar. Tive que decidir entre usar o que eu tinha juntado para fazer um mochilão no fim de um ano na Irlanda ou comprar outro curso e continuar a vida por aqui. Descobri que não precisava seguir necessariamente os planos formados no Brasil, e que a partir daqui a história poderia ser outra. Resolvi renovar meu visto para mais um ano, focando cada vez mais na língua e nas viagens.

As experiências foram ficando cada vez mais diversificadas. Os empregos foram mudando e tive a oportunidade de trabalhar numa fábrica de refrigerantes, lavando louça de uma cozinha industrial, lugar o qual fiz questão de esquecer o endereço, de tão pesado que foi o primeiro e último dia de trabalho, até a oportunidade de trabalhar no escritório financeiro de uma grande loja de departamentos da cidade. Foram os mais variados tipos de empregos, alguns certamente não fariam parte da rotina brasileira, mas cada lugar adicionou um pouco mais na pessoa que sou hoje. O modo como você vê a vida, como trata as pessoas, como almeja algo e como aprender a lidar com a paciência.

O intercâmbio de repente deixou de ser aquele sonho de morar fora por um ano e começou a se  tornar uma nova forma de administrar a vida. E foi exatamente isso que foi acontecendo durante os anos, uma nova vida foi sendo planejada a partir daqui. As salas de inglês foram deixadas para trás, e no lugar as aulas de business criaram novos desafios. As viagens foram acontecendo naturalmente depois de uma certa estabilidade financeira e num emprego que permitisse isso.

Londres foi a primeira viagem, assim como muitos outros, talvez por causa das passagens tão baratas para o Reino Unido, através das empresas aéreas de baixo custo. Depois veio Escócia, Bélgica, Irlanda do Norte, Alemanha, Italia, Espanha, Noruega, Grécia, Índia, Egito, Israel, Jordânia, Turquia…E o portão do mundo estava aberto para mim.

Antes de escrever esse texto eu me dei conta que há muitos anos não usava mais a palavra “intercâmbio”. Depois de seis anos aqui acho que não me considero mais uma intercambista, mas aprendi muito na época que ainda me sentia como uma. O intercâmbio foi mudando de forma porque eu decidi assim e fui feliz na minha escolha. Não cheguei no país com planos de fazer dinheiro e voltar para o Brasil, mas também não planejei ficar todo esse tempo e não tinha certeza se tudo daria certo para ficar o um ano planejado. Fui deixando a vida levar e fui me descobrindo durante os seis anos que moro fora. A vida fora do país, independente do jeito que você planeje, independente do período que você fique, será sempre uma grande experiência na vida de qualquer um.

O intercâmbio abriu as portas, o jornalismo e a fotografia me ajudam a ver com mais detalhes tudo a minha volta. A liberdade de expressão da Europa fez crescer uma nova paixão, quase avassaladora, a moda! O contato com as mais diferentes culturas, seja através das viagens, colegas de trabalho ou às vezes só através da gastronomia, são impagáveis.  Hoje os sonhos são outros e os planos a curto e longo prazo também.  A partir do intercâmbio  me tornei cidadã do mundo e com certeza uma viajante incansável.

Cintia Tanno

 

Glen Hansard, impossível não se impressionar!

Mesmo para quem não está na Irlanda, e ama uma boa música e quer saber um pouco mais sobre músicos irlandeses, Glen Hansard é um bom começo!

Vocalista da banda The Frames, ator, ficou muito mais conhecido depois do filme Once, vencedor do Oscar de melhor música original com Markéta Irglová, Hansard começou cantando nas ruas de Dublin quando  tinha apenas 13 anos e ainda hoje não esquece de suas raízes e leva para o palco grandes artistas das ruas de Dublin.

Confesso que só vim conhecer o trabalho de Glen quando me mudei para Dublin e assisti pela primeira vez o filme Once, mas a admiração não parou por aí! Com vários Cds em casa, hoje sob a guarda do meu irmão, lá no Brasil, as músicas dos seus trabalhos solos são as que mais me agradam!

No final do ano passado, tive o privilégio de ser convidada pelo amigo Guto Piazza para cobrir o show de Glen no Vicar Street aqui em Dublin e consegui assistir de pertinho um dos melhores shows da minha vida!!

Se ainda tem dúvida se quer ou não conhecer mais do trabalho de Glen Hansard, aconselho ler um pouco mais sobre como foi o show que cobrimos em Dezembro. Com fotos assinadas por mim e texto de Guto Piazza, publicado aqui no NetSonora, espero ter convencido você a se impressionar com o talento de Glen Hansard!

Glen Hansard ao vivo no Vicar Street, Dublin (17/12/2012)

Depois de praticamente 2 anos longe de casa, o cantor e compositor Glen Hansard finalmente vem para Dublin para apresentar músicas de seu 1º álbum solo.

Guto Piazza

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

Glen Hansard é um daqueles caras que você tem a grata surpresa de descobrir, e ao mesmo tempo se pergunta: “Por que diabos eu ainda não tinha ouvido isso?”.O mais curioso é que ele já tem muito trabalho na bagagem, e é referência na cena musical irlandesa há anos, ainda que seu nome não soe familiar (ainda).

Uma breve apresentação: Glen Hansard é um músico irlandês de 42 anos, que começou sua carreira musical aos 14 anos tocando nas ruas de Dublin. Em 1990 fundou a banda The Frames, com a qual já gravou 9 álbuns entre 1991 e 2006; em 1991 atuou no filme The Commitments (no papel do guitarrista Outspan Foster); em 2006, gravou o primeiro de 2 álbuns como parte do duo Swell Season, projeto que o levou no mesmo ano também às telas com o filme Once. Graças a ele, Glen Hansard e Marketa Irglova ganharam o Oscar de Melhor Canção Original em 2007 com Falling Slowly. O filme ainda inspiraria a criação de um musical quatro anos depois.

Porém, somente em 2012, Glen Hansard decidiu se lançar num trabalho solo.Rhythm And Repose foi lançado em junho, após 18 meses morando em Nova York para compor e gravar as 11 canções que resultaram no novo álbum. Em sua turnê de divulgação do novo disco, Glen chegou a abrir os shows de Eddie Vedder (e inclusive participou do disco solo de Eddie, ‘Ukulele Songs‘, na faixa Sleepless Nights).

E após 6 meses divulgando o novo material pela América do Norte e vários países da Europa, nada mais justo que fechar o ano em casa, trazendo para os fãs e amigos de Dublin um show marcante, em vários aspectos.

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

Após curta e envolvente apresentação de abertura da conterrânea Nicole Maguire, Glen subiu ao palco apresentando uma sequência de quatro canções de Rhythm And Repose. Aos que já conheciam ao menos parcialmente o trabalho do cantor em projetos anteriores, é possível notar que as músicas vão levando o show para um clima mais leve, que não exige tanto de seu imenso potencial vocal. Bem, pelo menos nos 15 primeiros minutos.

Já no final da quarta música, a originalmente ‘comportada’ Love Don’t Leave Me Waiting vai crescendo substancialmente, à medida em que Mr. Hansard trata de aumentar a dose de energia e distorção nos vocais, sendo prontamente seguido por sua ótima banda, que cria uma base ainda mais suingada. É a deixa para uma breve citação de Respect, de Otis Reding. E pela primeira vez o público já canta junto e dá indícios de que será uma longa e divertida noite.

A partir daí, a peculiar voz de Glen Hansard mostra-se aquecida, e a platéia está em suas mãos. E vice-versa.

O repertório segue muito bem balanceado, entre músicas de seus projetos com o Swell SeasonThe Frames e do recém lançado álbum solo. Há espaço então para que o violinista, conte uma piada que prepara o terreno para Low Rising, ou para contar a história sobre como surgiu a canção Lay Me Down.

Se até este ponto ainda existisse alguma dúvida da presença de palco de Glen Hansard, ela cairia por terra (assim como as bocas dos espectadores presentes) durante sua interpretação de Astral Weeks, de um de seus ídolos maiores Van Morrison. Curiosamente, o momento em que a banda o deixa sozinho no palco, experimentamos todo o peso que ele e seu velho violão podem trazer a uma canção. Ele simplesmente traz caos e distorção à música, desferindo ferozes palhetadas no instrumento, chegando ao ponto de precisar trocar o violão para finalizá-la.

A banda então volta, e é chegada a hora dela emprestar seu peso a algumas canções já conhecidas pelos fãs de The Frames, como God Bless Mom e Stars Are Underground.

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

Glen Hansard parece não dar a mínima para o relógio, e segue interagindo e cantando sem nenhum abalo aparente em sua voz, que parece crescer mais a cada música. E neste ponto do show percebemos então que ele é parte daquela rara espécie de artista: aquela em que está colhendo os frutos de seu reconhecimento, subindo degraus, mas que continua ao lado de seus velhos parceiros de The Frames (que os acompanham durante todo show), que faz questão de manter seus laços familiares ao chamar ao palco sua sobrinha Amy Hansard para cantar This Gift, que demonstra gratidão e humildade ao tocarWishlist (composição de Eddie Vedder gravado pelo Pearl Jam no álbumYield), que não esquece de suas raízes ao chamar para uma jam alguns amigos de longa data como Liam Ó Maonlaí, que por tantos anos estiveram lado a lado se apresentando nas ruas de Dublin. E mesmo na escolha dos covers, ele reforça sua ‘Santíssima Trindade’, composta por Van MorrisonBob Dylan eLeonard Cohen, este último sendo lembrado pela música Passing Through, onde todos os músicos e amigos convidados vieram até a frente do palco para executá-la numa versão totalmente acústica, antes de rumarem para o backstage em fila (ainda tocando) e aparecerem em meio à plateia, na pista, para deleite de todos os presentes, apresentando ali mais 2 canções no grand finale.

A constatação final: 3 horas e 20 minutos de show – coisa rara nos dias de hoje – onde saímos com a esperança de que há gente boa neste mundo, que ama o que faz, e o faz com excelência.

Amy Hansard

Amy Hansard e Glen Hansard

Nicole Maguire

Nicole Maguire

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

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Nicole Maguire

Nicole Maguire

GLEN HANSARD CINTIA TANNO

E nós!!!

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Texto – Guto Piazza

Fotos – Cintia Tanno

Famintos por mudança

Nem consigo mais lembrar, quando foi o mês que falei: “Não preciso estar de dieta!”. É sempre: “Ai, não posso comer isso, preciso começar a dieta” ou “Putz, to gorda, dieta amanhã!”, dieta, dieta, dieta…Uma vez que você falou esta palavra, a fome aumenta, as lombrigas dançam macarena na sua barriga e tudo o que você pode comer, é o que não quer comer!

É sempre assim, vivo tentando fazer dietas mais extremas, porque se  vejo resultado mais rápido, a vontade de continuar de regime aumenta…Mas nem sempre funciona assim. Emagreço quando estou indo de férias para algum lugar onde que há praia. Se eu não tiver um motivo como este, a dieta quase nunca vinga. E óbvio que eu sei que não deveria funcionar assim. Mudar a alimentação, para a VIDA, é o começo de uma vida saudável e consequentemente perda de peso.

Também tentei comer melhor, e me privar menos. Mas sabemos que para comer bem precisamos de mais tempo, disciplina e dinheiro, Porque ser saudável é caro! E assim fui levando meio lá, mei cá. Uma pizza aqui, salada ali, bolo, leite condensado, dor na consciência, e um pepino ali! Lei da compensação que não estava funcionando muito bem!

E também há aquele pequeno detalhe, que muitos já devem ter vivenciado. Ficar saudável com parceiro que mora com você, que não está nem aí com nada, fica muito mais difícil! Como comer sua bela maçã, se seu namorado (a) está tomando sorvete bem do seu lado! As lombrigas dançam macarena e conga la conga ao mesmo tempo! É difícil!

Por sorte, o Peter sempre me alertou sobre o frango não orgânico, que contém muito hormônio. Leite de soja, que nem sempre é o mais saudável, pelo mesmo motivo. Ovos e vegetais que também não são orgânicos. No começo achava super frescura, e achava um absurdo ele pagar 2 vezes mais em um produto. Mas com o tempo fui aprendendo, e hoje olho para aquele peito de frango suculento, sem procedência muito confiável, com outro olhos. Adotei tudo que é orgânico para minha vida, mas ainda continuamos comendo outras coisas não tão boas para o organismo (gordura trans e suas primas), além dos refrigerantes, que chamamos carinhosamente de poison (veneno em inglês) e mesmo assim continuamos tomando, os com açúcar ou aspartame, o que estivesse na promoção!

Mas mesmo não comendo tão bem, acho que quando o verão chegou, por causa do calor, a fome diminuiu, e começamos a comer menos porcarias e mais vegetais. Saladas, menos arroz branco, mais proteína, eu caí de cabeça nas saladas de frutas, e ao invés de jantar, estávamos tomando vitamina de frutas ou só de morango. E assim perdemos peso sem perceber. Eu perdi mais do que ele, e fiquei super feliz no dia (domingo passado) que experimentei uma calça que não servia há meses, e hoje não posso usar sem cinto, porque ela fica caindo!

Mas por que estou falando sobre tudo isso? Porque apesar de sabermos tudo da teoria, é difícil levar uma vida saudável na prática. Pela preguiça, estilo de vida e por não entender o quão mal certas substâncias fazem para nossa saúde! O que percebi é que sabemos muito bem tudo o que  é ótimo para nosso organismo, mas isso não é o suficiente para nos fazer mudar de vida!

Eis que um dia, acho um documentário sobre tudo isso, e hoje a vontade de adotar hábitos saudáveis chegou até o namorado, e juntos melhoramos a alimentação drasticamente!! Saber tudo o que é ruim, assusta e nos faz pensar duas vezes antes de colocar um muffin, um cupcake ou um copo de Coca-Cola na boca.

Todo mundo deveria tirar 1 hora do seu dia para assistir “Famintos por mudança” e entender que aquele singelo croissant pode estar fazendo muito mais mal do que você imagina!

Look da Japa – Shorts Jeans e Camisa Estampada

Semana passada o calor foi tão, tão grande aqui em Dublin, que a cidade inteira foi para a praia todos os dias da semana, e comigo não foi diferente. Tenho a sorte de entrar bem cedo no trabalho (ou não!), às 6 da manhã e sair cedo também, às 2 da tarde já estou indo para casa. Então aqui vai um look rápido que usei semana passada para passear!

Apesar de cansada na maioria dos dias, não dá para ficar em casa quando o tempo chuvoso e frio da Irlanda resolve dar uma trégua. Em plena segundona, resolvemos pegar o trêm e ir conhecer uma praia um pouco mais longe de Dublin e muito linda! Fomos para Skerries, vou contar mais sobre o lugar em um próximo post.

As fotos de biquine nós deixamos para o arquivo pessoal (haha) e vamos postar só as roupinhas da “viagem”. Usei uma camisa da Zara que adoro, e apesar de ser transparente, não é nada vulgar, pois a estampa de flores disfarça muito bem a transparência. O shorts, presente do namorado! Fica a dica, pois perguntei para ele, sem muita esperança, se tinha uma calça jeans que não usava mais, pois queria cortar e fazer um boyfriend shorts. Adoro calças boyfriend, aquelas que ficam mais larguinhas, e estava louca por um shorts, mas não encontrava, nem o normal, nem o boyfriend…Cheguei muito tarde nas lojas e todos já tinham acabado! E não é que ele tinha uma calça velha para me dar!! Não pensei duas vezes antes de passar a tesoura!

No começo ele duvidou que iria usar a calça cortada, mas no fim até gostou…E eu também gostei tanto, que tenho mais 3 looks com o bendito shorts! Com tanto calor não quis usar outra coisa a semana inteira!

Usar camisa com shorts fica um look despojado, mas não deixa de estar mais arrumadinho! Ótimo para passeios como este! No pé usei um mocassim dourado também da Zara, super confortável!

Shorts e camisa Skerries

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Skerries

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Camisa/Shirt – Zara

Shorts – alguma marca polonesa masculina

Mocassim – Zara

Óculos/Sunglasses – Vogue

Bolsa/Bag – Longchamp

Little Ass Burrito Bar – Super recomendo

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Está com fome…batendo perna pelo centro de Dublin?? Já experimentou os burritos do Little Ass Burrito Bar??

Um lugar super bonitinho, em uma esquina da Dawson Street, bem pertinho da Grafton Street e do Stephen’s Green Park e com um burrito super gostoso!

Confesso que entrei lá para comer porque achei o nome engraçado, o lugar bonito e aconchegante. Tão aconchegante e pequeno, que 4 pessoas lotam o lugar! Então, muito pequeno mesmo! Se der sorte consegue um lugar para sentar nos banquinhos dentro do burrito bar ou na única mesa que tem do lado de fora…Mas se estiver cheio, ainda vale a pena comprar um take away e quem sabe sentar no parque que está ali tão próximo, ou nos jardins do Trinity College para uma refeição mexicana! O humor que começa pelo nome do lugar, vai para o menu e está até nas paredes do bar são o grande diferencial!

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Para quem tem medo da pimenta mexicana, eles oferecem 5 opções de salsa para seu burrito: 1-Verde, 2-Smokey, 3-Mango, 4-Zesty e 5-Habanero. Eu fui de 4 e o namorado de 5…Loucos por pimenta que somos, ainda usamos todas as pimentas disponíveis no balcão…Tipo degustação de pimenta…E adoramos! Para os que preferem algo menos “quente”, podem ignorar as pimentas e ficar só com os temperinhos da carne, feijão e arroz.

Eu experimentei o EL ZORRO, burrito com carne de boi e o Peter foi de SANCHO PANZA, burrito com carne de porco. Ambos deliciosos e de um tamanho excelente. Estávamos com uma fome gigantesca e a princípio achamos o burrito não muito grande, mas é muita comida gente! Satisfaz qualquer um muito bem!

Para beber, eles oferecem bebidas típicas mexicanas (sem álcool), limonada fresquinha, refrigerantes e café para quem preferir. Os preços dos burritos variam entre €6,50 a €7,20.

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O Little Ass Burrito Bar fica na 32A Dawson  Street.

Visite o site e dê uma olhada no menu!! http://www.littleass.ie/

Bolo de chocolate e beijinho

Receita delícia de bolo de chocolate que eu adoro. Fica super fofinho, uma ótima opção para aquele bolo simples de fim de tarde ou para rechear com beijinho, brigadeiro ou creme com frutas!

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Ingredientes:

4 ovos

2 xícaras de açúcar

1 xícara de manteiga

2 xícaras de farinha de trigo

1 xícara de leite morno

1 xícara de chocolate em pó

2 colheres de sopa razas de fermento em pó

Modo de preparo:

Separe a gema da clara, reserve a clara para bater em neve no final. Bata as gemas e a manteiga em temperatura ambiente até formar um creme claro. Adicione o açúcar e bata mais um pouco até que comece a derreter. Misture o leite morno, a farinha e o chocolate em pó peneirados. Aqui bato só um pouquinho mesmo na batedeira, só para misturar tudo e depois continuo a bater a massa com a espátula. Acho que o segredo para ficar fofinho é a quantidade de manteiga e nao bater muito na batedeira depois que adicionar a farinha de trigo.

Quando a massa estiver bem homogênea, adicione o fermento em pó e as claras batidas em neve. Misture tudo delicadamente e coloque em uma forma de sua preferência, untada com manteiga e farinha.

Leve ao forno pré aquecido em 180 graus e deixe assar por 40 minutos.

Para o recheio usei uma lata de leite condensado, côco ralado e um pouco de leite de côco, para o beijinho ficar mais cremoso. A cobertura foi feita também com uma lata de leite condensado e chocolate em pó. O chocolate coloco meio no “olhômetro”, até eu achar que o brigadeiro está pretinho o suficiente!

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Cake 10Eu gosto de usar o chocolate em pó ao invés do achocolatado, acho que fica mais gostoso, menos doce mas ainda com gosto de chocolate bem intenso. Se você preferir usar o achocolatado de qualquer maneita, é melhor diminuir um pouco o açúcar, para não ficar super doce. Da primeira vez que fiz este bolo, usei a medida de uma xícara média para a forma de fundo removível, mas achei que ficou muito baixinho, da última vez que fiz, usei a medida daquelas xícaras bem grandes e ficou um tamanho ótimo para cortar o bolo ao meio e rechear.

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Como fiz o bolo para todo mundo daqui de casa, resolvi deixar ele tipo “open cake”, onde o recheio fica aparecendo, acho que assim fica mais suculento! Mas se preferir, pode fazer a cobertura com 2 latas de leite condensado e cobrir  as laterais do bolo…não vai ficar nada mal!!

Calzone Café

Sabe aquele dia que bate uma certa fome depois de bater perna pela cidade, ou depois do trabalho ou depois de entrar e sair de todas as lojas só aumentando a #wishlist (EU!). Pois é, sentiu aquela fome, a grana está curta e você não está afim de comer no Mc ou Burger King… Dublin tem várias opções para momentos como esse! A coisa melhora mais ainda se você estiver por perto da Grafton Street.

Eu sou da opinião que vale a pena arriscar e cada dia entrar em um café, pub, restaurante diferente e assim ir conhecendo bem o que a cidade tem a oferecer e consequentemente descobrir um lugar favorito para chamar de seu. Graças a amigas que conhecem bastante lugares pela cidade, venho descobrindo novos sabores por aí, e um deles é o Calzone Café.

Bem pertinho da Grafton Street, o Calzone está localizado na South Willian Street e oferece um dos melhores calzones que já comi! Sim, lembra do calzone que você comia no Brasil, igual, só que maior e melhor…E com recheios que satisfazem a vontade dos carnívoros aos vegetarianos.

O lugar é bem pequeno, qualquer grupo de pessoas que chegar por lá vai lotar o café, mas bem aconchegante para fazer um lanche a qualquer hora do dia. O lugar lembra uma cena de piquenique. Logo na entrada o chão é de grama artificial, mesas de madeira e menu com detalhes em xadrez. As mesas de dentro são daquelas compridas e com um bancão, onde todo mundo senta junto.

O toque especial vem das velas queimadas nas bocas de garrafas de vinho e da apresentação da comida. Apesar de não ser um restaurante, a apresentação dos calzones, sopas, pizzas e até do simples muffin são de tirar o chapéu!

Um ótimo lugar para encontrar amigos, tomar uma taça de vinho e fazer uma boa refeição sem gastar muito. Eu recomendo o calzone grego, que é vegetariano e uma delícia! Os pratos custam em torno dos 7 Euros, as sobremesas são mais baratas e se de quebra quiser economizar, nada como pedir uma água torneiral para acompanhar! #adoroaeuropa

Lunch! Calzone Café
63 South William Street
City Centre South
Dublin
Telefone: 01 677 1546
Horário de funcionamento: Seg- Sex, 7.30 – 20.30 Sab, 7.30 – 22.00, Dom 8.30 – 21.00
Capacidade: 45 pessoas

AMAZON-Sebastião Salgado e Per-Anders Pettersson

Desde que tive minha primeira aula de fotografia, lá no primeiro ano de faculdade de jornalismo,  já sabia que aquele definitivamente era um mundo que me encantava. Sempre vi um pouco de arte na fotografia, na verdade, sempre vi muita arte. Tudo isso aumentou depois que conheci um pouco mais sobre a história da fotografia e Henri Cartier Bresson e Sebastião Salgado tiraram o meu fôlego com suas belíssimas imagens.

Sebastião Salgado

Sebastião Salgado

Bom, o que eu quero dizer é que o trabalho dos dois sempre me pareceu meio que intocável. Materialmente falando… Quando achei alguns livros para comprar, online, durante a produção do meu TCC, na época era praticamente inviável para meu pobre bolso e exposição fotográfica deles então, nunca vi uma passar perto… Eis que num dia normal aqui em Dublin, lendo as atualizações do Facebook, vejo a notícia de que Sebastião Salgado faria uma exposição na Gallery of Photography daqui. Morri!

Finalmente poderia deixar de ficar namorando os caros livros do Salgado e admirar de perto algumas das suas fotografias e todas elas num tamanho digno que emociou esta pequena fã aqui.

A exposição faz parte de uma campanha da Sky Rainforest Rescue e da WWF contra o desmatamento da Amazônia. Salgado trouxe, junto com o fotógrafo suéco Per-Anders Petterssson, a Amazon. Parte do seu trabalho que está exposto foi iniciado em 2004 com o ensaio Gênesis. Nele, Sebastião Salgado expõe imagens do cotidiano de famílias rurais do Acre e comunidades indígenas locais do Mato Grosso, Amazonas e Pará.

Índios pescando no lago Piulaga. Xingu, Mato Grosso.

Desde 1990 Salgado e sua mulher Lélia Wanick Salgado, vêm trabalhando com a Sky Rainforest Rescue na restauração de uma pequena parte da Floresta Atlântica no Brasil. “Meu projeto Gênesis é designado para mostrar como a parte intocada do mundo deve ser preservada e, onde possível, ser expandida. Apoiar Sky Rainforest Rescue e juntar forças para essa exibição foi algo muito natural para mim, pois o trabalho com esse projeto ajuda a aumentar o conhecimento relacionado a devastação na região para um público maior.  Eu agradeço a oportunidade de apresentar algumas imagens inéditas na exibição e ressaltar a beleza que deve ser preservada.”

Preparação da mulher para o final do Amuricumã, festival de mulheres na vila de Kamayura. Xingu, Mato Grosso.

Per-Anders Pettersson também renomado fotógrafo, viajou em 2011 com a atriz Gemma Arterton para o Acre para também chamar atenção para o trabalho que estava sendo feito pela Sky Rainforest Rescue no estado. Nas suas fotografias ele mostra a realidade do desmatamento na região e tenta ressaltar como é importante e necessário o trabalho do governo na certificação de terras no estado, assim como o trabalho da Sky e do WWF como suporte para as comunidades locais. O importante é mostrar alternativas para o desmatamento e a proteção das mais variadas espécies que ali vivem.

Atriz Gemma Arterton sobrevoando áreas desmatadas do Acre.

Através das fotografias de Pettersson, não só é possível ver imagens do problema que o Acre está enfrentando, mas também todo o progresso do projeto na região. “Essa viagem deu a oportunidade da minha vida em ver todo o trabalho que está sendo feito em primeira mão e ajudar a mostrar isso. As imagens que nós capturamos são para abrir os olhos, lindas, de quebrar o coração e do mesmo tamanho encorajodoras.”

Pôr-do-Sol no Acre

A exposição começa com imagens belíssimas de Sebastião Salgado no primeiro andar da galeria e segue no segundo andar com as fotografias de Pettersson. Os dados sobre o desmatamento são chocantes, assim como as imagens expostas.

Crianças da região posam para foto em frente de casa. Seus pais desde 2009 produzem sem desmatar ou usar fogo na sua terra.

O trabalho dos dois fotógrafos são completamente diferentes, mas se complementam para atingir o objetivo traçado. A visão de Salgado, como sempre captando todos os detalhes da cena preto e branco, te envolve com tanta beleza e arte que é quase impossível imaginar que aquilo ainda existe no nosso país. Tradições indígenas e um povo tão bonito. Já o trabalho de Pettersson é mais realista, mostrando imagens que são mais comuns aos nossos olhos. A vida colorida dentro da simplicidade, desmatamento e trabalho de extração da borracha no inteiror do estado do Acre.

A curadoria e produção da exposição foi feita por Bakul Patki. Toda a edição do trabalho de Salgado é feito pelo mesmo e por sua mulher Lélia.

A exposião em Dublin acabou no dia 1 de Abril, mas não poderia deixar de registrar esse trabalho tão incrível que fui ver.

http://www.rainforestrescue.sky.com/our-campaign

http://www.peranderspettersson.com

http://www.amazonasimages.com

Fotos – http://www.rainforestrescue.sky.com